Simeon Smeele & Sara Torres Ortiz

O projeto de memória a curto prazo em pinípedes começou quando Dolphin Adventure, para aumentar a motivação e concentração dos animais, treinou cada um de seus indivíduos para realizar o comportamento, que chamaremos "repetir". Este comportamento consiste num sinal ou SD que basicamente significa "repete o que acabou de fazer".

Graças ao “repetir”, golfinhos e leões marinhos aumentaram a atenção ao treinador e durante as sessoes de treino, porque em qualquer momento podiam ser solicitados a repetir o que acabaram de fazer: um giro, um beijo ... E se o animal não estava atento , não lembraria. Não só conseguiram aumentar a atenção e a motivação em todos os animais, mas também, graças a um comportamento como este, em que nào è dada toda a informação ao animal, obrigava os animais a pensar ao comportamento que tinham que repetir. Esta situaçao levou ao aumento do critério e energia dos comportamentos !

 

Nos vídeos, podemos ver claramente a diferença entre a energia quando se pede uma giro simples e quando se pede para repetir este giro. Graças à publicação destes comportamentos em plataformas como a IMATA, um comportamento tão simples como o "repetir" tem grande validade científica e pode ser usado para realizar pesquisas sobre memória de curto prazo e consciência nos animais , tendo como resultado os seguintes dados:

 

Focas e leões marinhos são capazes de lembrar o que acabaram de fazer e repetir quando solicitados em menos de 15 segundos. Esses resultados sugerem que estes animais possuem algum tipo de consciência e são capazes de compreender as próprias ações. Foi feito um estudo que envolveu Dolphin Adventure, Fjord and Baelt e a University of Southern Denmark para ver se focas e leões marinhos conseguem lembrar e estão cientes do que acabaram de fazer. Estes mamíferos foram treinados para realizar a "repetição".

 

Por exemplo, podemos pedir-lhes para fazer um comportamento, como "virar" ou "vocalizar", e quando os treinadores fizerem o sinal de "repetir", eles repetem o último comportamento que fizeram, sem dizer a eles qual comportamento têm que fazer. O interessante sobre isto é que eles lembram-se e pensam sobre o comportamento a repetir.

 

No entanto, fazer aprender aos animais a repetir não foi suficiente. Para verificar se os animais se lembravam das suas ações, e não do sinal do treinador, foi feito outro experimento, denominado "repetição dupla". Neste experimento, os animais foram solicitados a fazer um comportamento simples, como "cumprimentar", "virar" e, quando o fizeram, foi pedido o "repetir".

Quando os animais repetem, pede-se o "repetir" novamente. Na segunda "repetição", lembrar-se do sinal do treinador não os ajudará. Os animais precisam lembrar-se da ação que fizeram, como "saudar" ou "virar".

 

Todos os animais passaram com sucesso esta parte do experimento. Para terminar, e para complicar ainda mais, na última parte da experiência, deixamos um lapso de tempo, entre o sinal ( SD ) e o “repetir”.

Ou seja, leões marinhos e focas continuam a lembrar-se do comportamento apesar destes intervalos de tempo com duração até 15 segundos. Mas embora pareça muito pouco tempo, é preciso ter em mente que as sessões eram muito repetitivas e até para nós, treinadores, as vezes esqueciamos o que tinham que fazer!

 

Os animais são provavelmente mais capazes de lembrar-se de um comportamento numa situação mais natural, isto porque a sobrevivência depende de seu estado de alerta. No momento, conhecemos apenas duas outras espécies que se lembram das suas ações: o Golfinho-roaz e o Macaco nemestrina mais conhecido como Macaco -cauda -de-porco. Ambos pertencentes a grupos de animais famosos pela sua inteligência.

 

Além disso, focas e leões-marinhos não são conhecidos pelas suas habilidades mentais. O fato de serem capazes de se lembrar das suas ações sugere que essa habilidade pode ser muito presente no mundo animal. Importante nao esquecer no entanto o mais importante: este tipo de conhecimento ajuda-nos a compreender e, desta forma, a cuidar melhor destas criaturas fascinantes.

 

Para mais informaçoes sobre nosso projeto, aqui está o link para o artigo científico:

 

https://link.springer.com/article/10.1007/s10071-019-01286-x

 

E lembrem-se, se se pode ... WeZooit

 

 

 

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