O meu nome é Kim Wilkins e a minha carreira no mundo do treino animal começou em 2007, no Zoológico de Bristol, onde começei a treinar animais para apresentaçoes educacionais. Passado algum tempo mudei-me para um delfinario chamado Onmega em Marmaris (Turquia) onde treinei golfinhos para interações e terapia.

Atualmente sou chefe no departamento carnívoros no Yorkshire Wildlife Park. Também sou co-presidente da BIAZA (Associação Britânica e Irlandesa de Zoos e Aquários)

 

Faço parte tambem de um grupo de comportamento animal e do grupo EEP que è responsavel por garantir o bem-estar e reproduçao de ursos polares. O Yorkshire Wildlife Park é casa de 8 ursos polares (Ursus maritimus), 3 machos juvenis e 1 macho adulto que vivem no complexo dedicado chamado Projeto 1 e recentemente chegaram mais animais; 1 fêmea adulta e três crias de 20 meses que vivem na area dedicada chamada Projeto Polar 2 . Este ultimo complexo està localizado no lado oposto do parque. A àrea Projeto 1 tem uma excelente variedade de instalações e mecanismos que ajudam muito o treino com estes animas, como uma manga pequena para as patas, uma manga maior combinada para a cabeça / pata que permite a realização de radiografias e outros exames veterinários como tratamento das orelhas, olhos e boca. Tambèm tem uma manga para permitir o acesso a outras partes do corpo como a pata de tràs. O treino de comportamentos mèdico/veterinàrio voluntario é uma parte essencial de qualquer programa de treino . Tudo isto permite um alto nível de bem-estar animal.

 

Talvez uma das razões mais importantes para ter um programa de treino em relaçao ao controle da saúde dos animais è a diminuição da necessidade de utilizar a anestesia, que nunca é isenta de riscos.

Para dar um exemplo , o nosso urso polar macho adulto, Luka pesa 560kgs, uma anestesia para um animal deste tamanho é potencialmente perigosa e extremamente stressante para o animal e para o staff, portanto, quaisquer esforços para reduzir a necessidade de sedação são fortemente encorajados. O staff de Yorkshire treinou os 4 ursos polares machos da coleção para vários procedimentos , tratamento de infecções oculares, realização de radiografias da cabeça e dos artos, injeções voluntárias, aplicação de creme tópico e exames mais detalhados nas patas.

Tudo isso tem permitido um diagnóstico e um período de tratamento mais rápidos, beneficiando os ursos e auxiliando na redução dos custos veterinários e do tempo de recuperação dos animais.

 

Treino de raios-X para ouvidos e patas

Uma luva multiuso foi instalada na área interna do urso polar. Esta luva pode ser colocada na posição da cabeça ou das patas e pode ser usada para cuidados com os ouvidos / olhos ou radiografias da cabeça. Pode ser movida para a posição das patas e usado para radiografias destas.

 

Fig 1. A manga acima é intercambiável entre as duas posições, de modo que pode ser utilizada para exames de cabeça e patas. A placa superior e inferior da manga pode ser removida e substituídas por Perspex para fins de raio-x, conforme mostrado abaixo.

 

Radiografía de la cabeza   Radiografía de la cabeza

Fig 2.

Radiografía de la cabeza

Fig 3 - 4 Radiografia da cabeça

 

Fig 5.

 

O treino que se pode abservar nesta foto foi para um projeto de pesquisa que envolvia raspar o mesmo pedaço de cabelo uma vez por mês para medir os níveis de cortisol. Este estudo decorreu ao longo de um período de cerca de um ano. Também utilizamos esse comportamento para iniciar o treino de recolha de sangue na veia jugular.

 

Estipular os comportamentos:

Começamos o treino permitindo com o processo de dessensibilização à manga. Eles têm acesso livre às áreas internas durante o dia , mas o acesso inicial à manga foi supervisionado, no entanto, o staff poderia fazer de modo que os ursos tivessem rapidamente acesso à manga sem a presença de um tratador.

Assim que os ursos se acostumaram a ver a manga, treinamos primeiro o comportamento de oferecer a cabeça. Treinamos os ursos primeiro oferecendo o reforço na ponta da manga para que eles enfiassem a cabeça para chegar ao reforço. Para obter um maior critèrio do comportamento, introduzimos um target no final da manga, e quando tocava este target era reforçado. Os reforços foram óleo de fígado de bacalhau (entregue em spray ou garrafa squeezy tipo ketchup), chantilly, sardinhas em lata ou fruta. As sessões eram feitas em varias ocasiões e duravam normalmente de 5 a 10 minutos. Devido às limitações de tempo e disponibilidade de equipamento, os ursos não foram expostos à maquina de raio-x antes do procedimento, mas o comportamento foi tão forte que não fez diferença para os ursos. Os exames aos olhos e ouvidos foram treinados depois que o comportamento de oferecer a cabeça era muito forte.

 

O comportamento da oferecer a pata foi sempre treinado utilizando o target. Este target era feito com uma bola azul na extremidade e foi colocado na manga na posição da pata. Quando os ursos colocaram a pata na manga quando viam o target foram reforçados. Quando o comportamento inicial foi estabelecido, o staff apresentou o sinal, que era um toque duplo na parte superior da manga. Quando os ursos responderam bem ao sinal , o staff introduziu um outro sinal secundário que significava 'segurar' para pedir ao urso para segurar o target e manter a pata na posição até ouvir o bridge (ver Fig 3).

 

Este passo foi conseguido utilizando um pequeno atraso no bridge quando a pata era apresentada na manga e quando o primeiro sinal era dado e depois aumentando gradualmente o atraso na introdução do sinal de 'espera' ao mesmo tempo.

 

Uma luva para as patas secundária foi instalada para um trabalho mais complexo nas patas dianteiros. O processo nesta manga foi treinado da mesma forma que na manga maior.

 

Conselhos para treinar grandes carnívoros:

 

  • Sempre ter um protocolo de avaliação de risco antes do início do treino.

  • Se um novo aparelho para ajudar o treino foi instalado, esperar o tempo queseja necessario para o animal se abituar.

  • Usar uma variedade / quantidade de reforços ajudará a estabelecer os comportamentos prontamente e manter o animal mais motivado durante a sessão de treino.

  • Resistir a pedir "só mais uma vez". Se o animal fizer os critérios pedidos, reforçar e siga em frente. O animal pode ficar frustrado ou desinteressado se for solicitado a repetir um comportamento muitas vezes.

 

Problemas encontrados:

  • Os ursos aprenderam rapidamente que as mangas eram um lugar onde poderiam ser altamente reforçados e, como resultado, os ursos mostraram alguma agressividade ao redor delas. Este comportamento foi corrigido reforçando os ursos por ficarem calmamente sentados na area zoologica longe das mangas.

  • Às vezes, era necessário mais de um treinador para ter certeza de que, quando um animal estava na sua sessao de treino, os outros ursos eram reforçados por esperar pacientemente. Reforçar este comportamento poderia ser um problema se o staff fosse limitado.

 

Os prossimos passos deste treino serà no cuidado das patas traseiras por meio de uma abertura especialmente projetada para ajudar na cura das patas dos ursos polares. È uma situaçao que o grupo EEP quer dar particular atençao porque este tipo de treinamento será de fundamental importancia na detecção precoce e prevenção de abcessos das patas no futuro.

 

Gostaria de agradecer a todo o staff de Wezooit pela oportunidade de compartilhar o nosso trabalho com todos.

 

E lembrem-se… se se pode …. Wezooit

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